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Populismo pornográfico

Há quem pense que todo o populismo é um tanto "pornográfico". Mas há quem abuse...
Tania Derveaux é cabeça de lista do partido NEE ao senado belga, nas eleições do próximo 10 de Junho. O NEE pretende ser um partido de protesto. O que propõem aos eleitores é o seguinte: votem em nós e tantos lugares quantos os que elegermos serão lugares vazios no parlamento, o que se traduzirá em perda de poder e de subvenções públicas para os (outros) partidos. Assim, mais do que um voto de protesto (NÃO), o NEE pretende oferecer um voto-sanção.
O lema de campanha mais difundido pelo partido NEE, na pessoa de Tania, é algo que se inspira na promessa que outros partidos fazem de "mais empregos" (jobs).

jobs.jpg


Mas este partido, criativo, tem uma outra versão:

blowjobs.jpg


A promessa já não é, pois, de "jobs", mas de "blowjobs". Uma espécie particular de trabalho, pois.
É claro que esta forma particularmente escabrosa de populismo não deixa de insistir em certos temas caros a qualquer das forma de populismo que por cá conhecemos.
O tema principal é "a limpeza dos partidos": o anjo puro varre os impuros agrupados em partidos.

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Isso é necessário porque os partidos sugam o povo: os partidos estão num prato da balança e o povo noutro prato, pelo que o que vai para uns é "roubado" aos outros.

balanca.jpg


A pura Tania vai, pois, fazer uma limpeza ao parlamento:

parlementt.jpg


Como convém, os políticos dos outros partidos são ridicularizados:

dedeckert.jpg


No final, o anjo Tania vencerá:

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Será que ainda falta muito para, no nosso país, o populismo chegar a estas formas?
É muito mais fácil criticar tudo e todos, metendo toda a política e todos os políticos num saco de lixo, do que meter as mãos ao trabalho e fazer a nossa parte, assumindo responsabilidades de fazer e deixando o mero bota-abaixo. Disso vive o populismo. Talvez não demore muito a chegar ao nosso país algum arremedo de populismo pornográfico, uma vez que populismo sem vergonha já cá temos bastante.


Comments

A propósito de um post sobre o mesmo tema no ABSORTO, perguntei à nossa amiga Betty - militante de causas - a opinião dela sobre este movimento. Obtive esta resposta:

Querida Margarida,

Este partido é um fenómeno recente que recebiu mais atenção fora da Bélgica que no país mesmo por causa duma emissão no CNN.

E um grupo de 6 jóvens que não têm um programa propriamente dito só que oferecem às pessoas a possibilidade de votar 'não' e de dizer assim que não acreditam no sistema político actual. E um 'partido' de protestação.
O interês da média externa pode-se provavelmente explicar por causa da promessa da mulher do grupo de oferecer um 'blow-job' às pessoas uma vez que fosse eligida no parliamento (precisava 40.000 votos). Então não é nada de sério ...
Durante meses o grupo fez uma campagna na rua comercial principal de Antuérpia mas acho que não tiveram muito êxito. E mais uma curiosidade do que otra coisa.

Um abraço,
Betty

Conheço o post do Absorto. O tema, aliás, anda bastante pela blogosfera. Mas tem-se falado mais dos "blowjobs" do que das outras características populistas que tornam o NEE muito parecido com outros discursos aparentemente não pornográficos.

Pois caro Porfírio,
O tema do populismo é vasto e os próprios partidos os seus principais alimentadores, das canetas aos electrodomésticos, do dinheiro da Felgueiras Azul ao BragaParques do Mesquita Machado, o tema tem pernas para andar, atºe ao case study da Cicciolina...
O grande problema é a rapidez da comunicação, a vida à velocidade do soundbyte e a necessidade da anedota, do desrto, do nazi, do demento ( estas três de ontem!).
Discutir ideias é cada vez mais dificil, e sobretudo separá-las dos expoentes que as carregam e o que assistimos é a ilogica da política, 1º em regra aparecem os "magos" ( alguém conhece alguma ideia do Negrão ou do Costa para Lisboa, alguma vez se pronunciaram sobre Lisboa? Um foi autarca em Loures outro em Setubal, mas são pau para toda a obra). Isso é que é populismo.
Mulheres nuas, broches (essa do blowjob, por pudor é de riso!) serão pior que votos comprados ( como partidos vários fizeram por cá!)?
Um abraço
António Eloy

Meu Caro, há quanto tempo!
Pois, nada nem ninguém está vacinado contra o populismo. Não se está isento dele por se estar fora dos partidos, nem por se estar dentro deles, nem por se estar em trânsito.
Agora, tenho um princípio: cada um vale pelo que faz e por isso tem de ser responsabilizado. Não vale meter tudo no mesmo saco: nem os políticos são todos iguais, nem os empresários são todos iguais, nem os padres são todos iguais, nem os ecologistas são todos iguais, ...
Uma das estratégias do populismo é meter tudo no mesmo saco.
Outra das estratégias do populismo é a desonestidade intelectual. Para pegar num dos teus exemplos: o ministro do deserto foi tonto na expressão, e não é a primeira vez. Mas estava a colocar um problema real, por exemplo quando falava dos "impactes mortais" com o exemplo (triste) do cancro do pulmão. Os que bradam aos céus, de forma oportunista, com uma expressão (de facto) infeliz, talvez devessem também bradar contra aqueles que ontem no governo defendiam com unhas e dentes uma coisa (a Ota) e agora dizem tudo o que mal há dessa opção.
Mas aí tens razão: é a velocidade da comunicação. É-se mais rápido a dizer disparates do que a pensar nas coisas sérias.
Já agora: Não será por terem sido autarcas noutras freguesias que o Negrão ou o Costa valem mais ou menos para Lisboa. Este país não é feito de ilhas e, ainda por cima, estamos a falar de municípios parecidos em muitas coisas e muitos problemas. É esse tipo de "ditos" que agradam ao vasto público, mesmo sem terem grande base racional, que alimentam aquela "comunicação" à qual facilmente atiramos culpas.
Volta sempre e também te irei visitar.

Claro que o facto de ser pau para toda a obra faz parte da "generalização" que corresponde ao perfil político, embora pense que os alfacinhas irão ter em conta, a questão fundamental que são ideias e estas se bem que se possam comprar ou usurpar são decisivas com a credibilidade de quem dá por estas a cara, ou deviam ser.
Mas o populismo é um anatema que caí bem ora este é segundo a minha cabula o desprezo pela democracia representativa e, em Portugal, ninguem tem feito tanto por esse como os partidos políticos ou as suas lógicas de funcionamento ( que conheces bem melhor que eu!), a subversão de posições por interesses transitórios ( o caso da Ota, onde a minha posição é a mesma de sempre, ou o comportamento, histórico salvo algum Soares,abjecto do PS em Lisboa, do apoio ao Abecassis ao Carmona e até ao Santana, podiam ir para o mesmo saco).
Penso que um sociologo deve escalpelizar mais esse tal populismo...com metodo (he,he!) porque distribuir bjs e sacos de plástico no mercado também faz parte, é uma espécie do tal job.
Atrás dos tempos outros tempos aonde vir.
Assim a campanha me deixe hei-de vir aqui cheirar....
Abraço, com gratas memórias

Não vou entrar em pormenores: concordo com algumas coisas que dizes, não concordo com outras. Contudo, não quero, neste espaço, entrar em coisas muito concretas da política actual, porque não me apetece canibalizar este espaço com coisas muito imediatas, apesar de muito estimar quem se envolve no que de mais imediato há na política. Mas há tempo para tudo na vida.
Mas quanto às memórias, concordo: são gratas também para mim.
Abraço.

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