Flexigurança
No passado dia 29 de Junho, António Chora, coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, escreveu um texto no blogue Arrastão, a convite de Daniel Oliveira. Esse texto é inserido num post intitulado Querem mesmo aprender com a Autoeuropa? O tema, como já se terá visto por posts anteriores que aqui publiquei, interessa-me sobremaneira. Não vou agora alongar-me. Apenas deixo o conselho de que este texto seja lido. Mais tarde voltaremos ao tema. Mas certamente será para sublinhar isto: qualquer solução para aumentar a competitividade e a produtividade passa por um verdadeiro diálogo (isto é, um diálogo com consequências) com os trabalhadores organizados. E se os trabalhadores não perceberem o que têm a ganhar, é porque de facto não estão a ganhar nada. E, já agora, precisam-se mais empresários que não sejam "patrões". Sejam portugueses ou estrangeiros, para o caso dá o mesmo.
Comments
Antes do diálogo com os trabalhadores organizados, pq não recolher as opiniões dos trabalhadores que individualmente e livremente as quiserem exprimir? Cada caso é um caso. As boas ideias vêm de onde menos se espera (vide o caso do porteiro da Colgate que deu a ideia ao patrão de alargar a boca de saída do tubo para que os utilisadores gastasse mais pasta).
Posted by: Paula Marques | julho 6, 2007 09:40 AM
Os trabalhadores não trabalham sozinhos (em geral), as soluções de organização do trabalho que possam ter efeitos positivos para a produção e para os produtores dependem do colectivo e não de cada um isolado. Trata-se de conciliar interesses que são em parte diversos e em parte comuns, colectivos. É por isso que não é verdade, não é "toda a verdade", que,como tu dizes "cada caso é um caso".
Os gestores podem recolher todas as opiniões individuais que quiserem. Mas não se trata de "o patrão ouvir as boas ideias do empregado". Trata-se de negociar, de colocar em cima da mesa os interesses de todos e tentar encontrar a forma mais justa e mais eficiente de coordenar esses interesses. Isso não se faz com individualismos à inglesa...
Como bem sabes, já passei anos a negociar essa teoria à mesa do Conselho da UE e, portanto, não consigo olhar para a tua sugestão com nenhuma candura!
Beijos.
Posted by: Porfirio Silva | julho 6, 2007 10:25 AM